Hoje foi um cachorro. Amanhã, quem?

E por que falar do serzinho Orelha?
A crueldade cometida contra uma vidinha chamada Orelha traduz, de forma brutal, o que fizeram com o nosso país. Famílias ricas de Santa Catarina, acostumadas a comprar tudo e todos (inclusive coagindo testemunhas), famílias que odeiam pobres e nordestinos — o que dirá dos animais, não é mesmo?
Os filhos, aprendizes de delinquentes, apenas reproduziram o que foi constatado na atitude dos pais. Logo após o crime, estes simplesmente “premiaram” os filhos com passagens para a Disney. Este é o tipinho de pessoas que segue a vida defendendo o chavão “Deus, Pátria e Família”. Portanto, nenhuma surpresa que esses jovens sintam prazer em tirar vidas — hoje de animais, amanhã humanas — e ainda recebam novas “premiações”.
Em apenas uma semana, tivemos o caso do cachorrinho Orelha, em SC; outro no RS; e, ontem, o caso do cachorrinho Abacate, no Paraná. Infelizmente, nossa espécie transformou a vida dos animais em um inferno, e urge mudar essa realidade. Quem é violento com animais também é violento com seres humanos.
É fato que, após um indivíduo que ocupou a cadeira da Presidência da República e implantou uma necropolítica no país, a violência encontrou a porta aberta e se sentiu em casa. O próprio símbolo de sua campanha e de sua plataforma política era uma arma. A essência de seu desgoverno foi o desrespeito às leis e às instituições — como no caso do IBAMA.
Liberou geral as armas, criou clubes de tiro (hoje são mais de 700 mil no país), defendeu a caça livre, rodeios e vaquejadas, e tinha como bandeira “deixar a boiada passar”. Assim, a violência encontrou solo fértil e, junto com a criminalidade, aumentou consideravelmente em todas as áreas, no campo e nas cidades.
O feminicídio foi adubado por falas misóginas e criminosas, como quando esse inominável declarou que só não estuprava uma mulher porque ela era “feia”, ou quando falou abertamente sobre zoofilia. Permitiu que seus comparsas destruíssem o meio ambiente com o garimpo ilegal, aumentando conflitos e mortes, afrontou e acuou os povos da floresta, ignorou o marco temporal e agrediu toda a fauna e flora.
Seu rastro de destruição e sua bandeira da violência germinaram e hoje afetam todas as formas de vida. Diante da conjuntura de miséria, escassez e destruição das políticas públicas, o país ficou literalmente sem governo.
Em meio a essa situação, no pleito eleitoral de 2022, tivemos a oportunidade de retomar as rédeas e elegemos Luiz Inácio Lula da Silva. O mais gratificante é que, mesmo após essa página ruim da nossa história, o país retomou o projeto interrompido. O Brasil voltou a ter comando e um governo cuja essência é a defesa da vida, das pessoas e dos animais — o oposto do que vivenciamos. Ufa! Que alívio!
Infelizmente, a cultura da violência havia se instalado. Não satisfeita com a derrota, essa mesma corja planejou, por meio de um processo violento, um golpe de Estado recheado de crueldade e com objetivos de assassinato. Essa é a marca da extrema direita no país.
Mesmo diante de tantas dificuldades impostas por seus representantes no Congresso — defensores da elite e do golpe — a democracia resistiu, e o governo seguiu seu curso. Muito já foi feito para reverter esse rastro de destruição. Os órgãos governamentais voltaram a assumir o compromisso com a defesa da vida, as políticas públicas foram retomadas em todas as áreas, priorizando essas existências.
Destaco aqui que o Governo Lula criou o Departamento de Proteção e Defesa dos Direitos Animais, além de políticas públicas como o SinPatinhas. Os ministérios pautaram mudanças que impactam positivamente a vida e, nessa nova realidade, é fundamental compreender a importância da continuidade desse projeto.
Precisamos conscientizar, por meio de uma educação contínua, que toda vida importa; que nossa existência depende da existência de outras vidas; que os animais são seres sencientes, conscientes do abandono, da alegria, do sofrimento, da fome e da dor. Eles, assim como nós, são sujeitos de direitos e não podem mais ser vistos como coisas, mas como vidas que merecem respeito e políticas públicas.
Nesse sentido, nós que temos compromisso com a defesa da vida — humana e animal — precisamos, em 2026, continuar a luta para que o projeto político em curso tenha continuidade. Somente um projeto baseado na defesa da vida e na cultura da paz será capaz de mudar a mentalidade alimentada pela cultura da violência imposta pelo desgoverno passado.
Já é possível ver os resultados dessa mudança, embora não seja fácil. Vivemos em um sistema capitalista no qual grandes grupos lucram com a indústria da violência, presente em várias esferas da sociedade. A mídia golpista cria diariamente obstáculos às transformações necessárias, e o atual Congresso abriga bancadas que lucram com essa cultura violenta, sabotando projetos de lei que fortalecem a cultura da paz.
Por isso, urge mudar a correlação de forças no Congresso. Para implantar a cultura da paz, precisamos eleger parlamentares comprometidos com ela. Hoje, infelizmente, a maioria ainda defende a cultura da violência.
Nosso desafio é eleger representantes comprometidos com todas as formas de vida — humanas e animais — e garantir, junto com a reeleição do presidente Lula, um governo capaz de seguir transformando o país.
Como filiada ao PT e membro do Setorial de Direitos Animais do Partido dos Trabalhadores do DF, sinto-me na obrigação de publicar este texto e convidar todas e todos a seguirem firmes na luta por um país digno, que respeite todas as formas de vida.
Porque é sempre necessário lembrar:
toda vida importa.

JustiçaPorOrelha

Por Francimery Bastos
29 de janeiro de 2026

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *