Mais uma vez, o Governo do Distrito Federal recorre a uma solução imediatista para enfrentar problemas fiscais que não foram resolvidos na raiz. A proposta de transformar a dívida ativa em um fundo de investimento, com gestão do BTG Pactual, escancara uma escolha política: antecipar recursos a qualquer custo, mesmo que isso signifique abrir mão de bilhões que pertencem à população.
Estamos falando de cerca de R$ 52 bilhões que poderiam retornar aos cofres públicos ao longo do tempo e ser investidos em saúde, educação e políticas públicas. Em vez disso, o governo opta por entregar esses créditos ao mercado financeiro com desconto, permitindo que grandes investidores lucrem com aquilo que deveria fortalecer o Estado.
A justificativa é conhecida: necessidade urgente de capitalizar o BRB para atender exigências do Banco Central do Brasil. Mas a pergunta que precisa ser feita é simples: por que a conta dessa solução recai, mais uma vez, sobre o patrimônio público?
Não se trata apenas de uma operação financeira — trata-se de uma decisão que pode transferir riqueza pública para o setor privado. Ao vender a dívida ativa com deságio, o governo abre mão de receitas futuras e consolida um modelo em que o mercado ganha com o risco e o Estado perde com a pressa.
O discurso de “necessidade” não pode servir para justificar escolhas que, na prática, beneficiam poucos e penalizam muitos. A população já sente os efeitos da falta de investimento em serviços básicos. Agora, corre o risco de ver recursos públicos sendo antecipados a preços reduzidos, sem garantia de que essa medida trará benefícios reais no futuro.
O Distrito Federal precisa de responsabilidade fiscal, mas também de compromisso com o interesse público. Soluções estruturais, transparência e eficiência na cobrança da dívida são caminhos mais justos do que a simples entrega de ativos públicos ao mercado financeiro.
A sociedade precisa estar atenta: quando o governo abre mão de bilhões hoje, alguém está lucrando — e dificilmente é o cidadão comum.
Matéria base: Capital S/A – BTG já tem contrato com GDF para gestão de fundo da dívida ativa local – Capital S/A

