Um gesto raro no debate político do Distrito Federal

O debate político no Distrito Federal tem sido marcado, nos últimos anos, por forte polarização e por análises muitas vezes orientadas mais por posições ideológicas do que por uma avaliação cuidadosa dos fatos. Nesse contexto, ganha relevância a recente publicação do jornalista do site Rádio Corredor, que fez um pedido público de desculpas ao ex-governador Agnelo Queiroz.
O gesto chama atenção por partir de alguém com posicionamento político historicamente alinhado ao bolsonarismo e conhecido por críticas recorrentes aos governos do Partido dos Trabalhadores no DF. Não se trata de uma mudança de orientação política, mas do reconhecimento público de que determinadas análises realizadas no passado foram equivocadas.
Ao revisitar suas avaliações sobre a construção do Estádio Nacional Mané Garrincha, o jornalista reconhece que suas críticas ao governo Agnelo Queiroz desconsideraram elementos centrais do contexto político, institucional e histórico da obra. Durante anos, o estádio foi utilizado no debate público como símbolo de suposta má gestão, frequentemente atribuído de forma quase exclusiva a um único governo, consolidando uma narrativa simplificada e injusta.
A reavaliação desse entendimento contribui para recolocar os fatos em perspectiva. As obras da Copa do Mundo envolveram decisões compartilhadas entre diferentes esferas de governo, contratos complexos e responsabilidades institucionais que extrapolam partidos e mandatos específicos. Ignorar esse contexto sempre serviu mais à disputa política do que à compreensão da realidade.
Reconhecer equívocos não elimina divergências políticas — e nem precisa eliminá-las. No entanto, representa um compromisso com a verdade, com a qualificação do debate público e com a honestidade intelectual. Em um ambiente em que narrativas são frequentemente repetidas sem reflexão crítica, revisitar posições é um gesto que merece registro.
Esse episódio não reescreve a história, mas contribui para corrigir distorções e reafirma a importância de um debate político baseado em fatos, responsabilidade institucional e respeito à democracia.

Veja a matéria completa a baixo.

Todos Devem Desculpas a Ele: Agnelo Queiroz

Justiça seja feita: o tempo absolveu Agnelo Queiroz

Se hoje a Arena BRB Mané Garrincha é sinônimo de casa cheia, recordes de público e um mercado de eventos aquecido, é preciso dizer com todas as letras: isso não aconteceu por acaso. Teve ousadia, teve coragem — e teve um nome que pagou um preço político altíssimo por isso: Agnelo Queiroz.

Ousadia que custou caro

Na época da reconstrução do estádio, Agnelo apanhou de todo lado. Foi atacado por adversários, ironizado por parte da imprensa e acusado de construir um “elefante branco”. Bancou a decisão quando poucos acreditavam e viu sua carreira política ser profundamente afetada por uma obra que o tempo trataria de julgar.

O “elefante branco” que virou bilheteria

O que antes era motivo de chacota hoje virou referência. A Arena BRB se consolidou como um dos principais palcos do país para grandes jogos, shows e eventos de massa. A agenda vive cheia, o entorno é movimentado e o impacto econômico é real.

Recorde na final Flamengo x Corinthians

A prova definitiva veio no último fim de semana. Na final entre Flamengo e Corinthians, a Arena BRB Mané Garrincha bateu recorde absoluto de público, com 71.244 pessoas presentes no estádio.
A arrecadação foi igualmente histórica: R$ 12,69 milhões em renda bruta, números que colocam Brasília no topo dos grandes eventos esportivos nacionais.

O preço político de quem enxerga antes

Enquanto hoje todos comemoram os números, é impossível esquecer que Agnelo pagou sozinho a conta política da decisão. O estádio só virou consenso após pronto, funcionando e lotado. Antes disso, ele foi alvo de críticas duríssimas — muitas delas injustas.

O visionário era Agnelo

Com o estádio privatizado, operando a pleno vapor e se mostrando estratégico para o DF, fica cada vez mais claro: a visão estava correta. A cidade ganhou um equipamento moderno, funcional e capaz de atrair eventos de porte internacional.

Quem deveria entregar o troféu

Se existe um simbolismo que Brasília ainda deve ao seu passado recente, ele é claro: se tem um homem que deveria entregar o troféu de campeão em uma final como essa, esse homem é Agnelo Queiroz. Não pelo jogo, mas pela coragem de ter construído o palco onde a história acontece.

Um pedido de desculpas histórico

Talvez já passe da hora de a cidade fazer um gesto de reconhecimento. Um busto, uma placa, um registro permanente. Não por política partidária, mas por justiça histórica.

Desculpa, Agnelo. Eu não sabia o que estava dizendo.

Matéria Rádio Corredor – Todos Devem Desculpas a Ele: Agnelo Queiroz – Rádio Corredor

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